Reforma Tributária23 de outubro de 20266 min de leitura

Reforma Tributária: A importância de monitorar Fornecedores quanto à opção pelo Simples Nacional

Alterações no regime tributário podem afetar retenções, créditos e obrigações fiscais — e precisam ser monitoradas de forma contínua.

A correta gestão cadastral e tributária dos fornecedores é um fator crítico para a mitigação de riscos fiscais. Um dos pontos que merece atenção constante é a opção pelo regime do Simples Nacional, pois alterações nesse enquadramento impactam diretamente retenções de tributos, direito a crédito, conformidade fiscal das operações e por fim, nos custos totais da contratação desse parceiro.

Nesse contexto, o monitoramento contínuo dos optantes pelo Simples Nacional deixa de ser apenas uma boa prática e passa a ser uma necessidade operacional e de compliance.

O que é o Simples Nacional

O Simples Nacional é um regime tributário diferenciado, aplicável a microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP), que unifica a arrecadação de diversos tributos federais (PIS, COFINS, IRPJ, CSLL, IPI e no futuro CBS e IBS), estaduais (ICMS) e municipais (ISSQN) por meio de um único documento de arrecadação (DAS).

A adesão ao regime traz simplificação tributária, porém impõe regras claras de entrada, permanência e exclusão, que precisam ser observadas tanto pelas empresas optantes quanto por seus parceiros comerciais.

Quando é possível optar pelo Simples Nacional

Com a implementação da Reforma Tributária, o calendário de opção pelo Simples Nacional foi antecipado para permitir que as empresas definam previamente seu enquadramento tributário e a forma de apuração do IBS e da CBS.

Para o ano-calendário de 2027 (e próximos anos) a opção deverá ser realizada entre 1º de setembro e 15 de outubro, por meio do Portal do Simples Nacional, produzindo efeitos a partir de 1º de janeiro do ano-calendário seguinte. No período 1º de setembro a 30 de outubro, as empresas também deverão decidir se permanecerão recolhendo o IBS e a CBS dentro do DAS ou se optarão pela apuração desses tributos pelo regime regular (por fora do DAS – regime híbrido), quando permitido.

Durante esse período, a empresa poderá:

  • Solicitar a entrada no Simples Nacional;
  • Permanecer como optante;
  • Avaliar a migração para outro regime tributário, caso esse se mostre mais vantajoso ou necessário em razão do novo cenário tributário;
  • Definir, quando aplicável, a forma de recolhimento do IBS e da CBS para o primeiro semestre do ano-calendário seguinte;

Empresas em início de atividade continuam podendo optar pelo Simples Nacional em prazos específicos após sua constituição, observadas as regras próprias previstas na legislação.

Atos que podem excluir uma empresa do Simples Nacional

Uma empresa pode ser excluída do Simples Nacional por diversos motivos, entre eles:

  • Excesso de faturamento acima do limite legal
  • Exercício de atividades vedadas ao regime
  • Alteração do CNAE para atividade não permitida
  • Débitos tributários não regularizados
  • Irregularidades cadastrais junto à Receita Federal ou fiscos estaduais/municipais
  • Descumprimento de obrigações acessórias

Quando a exclusão do Simples ocorre

Diferente da opção anual, a exclusão pode ocorrer a qualquer momento do ano, dependendo do motivo:

  • Exclusão retroativa, em casos mais graves;
  • Exclusão a partir do mês seguinte ao evento;
  • Exclusão a partir de janeiro do ano seguinte, em algumas situações específicas;

Isso significa que um fornecedor pode deixar de ser optante em qualquer momento do ano, sem que a empresa contratante perceba imediatamente — gerando risco tributário relevante.

Impacto do Simples Nacional nas operações e no crédito tributário (especial para reforma tributária)

Com a implementação da CBS e do IBS, o monitoramento dos fornecedores optantes pelo Simples Nacional ganha uma nova dimensão. A simples informação de que o fornecedor é optante pelo Simples deixa de ser suficiente para determinar o tratamento tributário da operação. Será necessário identificar também como o fornecedor recolhe o IBS e a CBS. Quando esses tributos forem recolhidos dentro do DAS, o adquirente poderá aproveitar créditos limitados ao montante de IBS e CBS efetivamente devido nesse regime. Já quando o fornecedor optar pelo regime híbrido, recolhendo IBS e CBS fora do DAS, os créditos passarão a seguir as regras gerais do novo sistema, com destaque dos tributos no documento fiscal. Dessa forma, manter essas informações atualizadas no cadastro de fornecedores passa a ser um requisito importante para a correta apuração tributária e para o aproveitamento dos créditos previstos na legislação.

Como nossas soluções podem ajudar

Ao observar as regras de inclusão/exclusão/manutenção da opção do Simples Nacional e de suas variações (híbrido) entende-se que não há uma estratégia única que vá garantir que o cadastro permaneça perfeito, contudo, ao utilizar ferramentas como o MDM+BRO e MUB é possível compor uma estratégia mista, composta por automatizações, workflows, interações humanas e que ao fim trazem a garantia de alta qualidade das informações do cadastro:

  • 1 – No cadastro inicial de cada Fornecedor realizar as consultas públicas (RFB, CCC, Simples Nacional) e interagir com o Fornecedor para capturar possíveis opções por regimes especiais (como o regime híbrido no Simples Nacional);
  • 2 – No início de cada ano, para os fornecedores relevantes (que tiveram negócios nos últimos 3 anos por exemplo) - executar o Saneamento automatizado com base em consultas públicas (RFB, CCC, Simples Nacional) - executando o saneamento no início de cada ano já temos a garantia de estar com o regime tributário adequado no cadastro dos fornecedores com situações "normais";
  • 3 – A cada mês, para os fornecedores que constam na base como Simples Nacional, executar o Saneamento automatizado com base em consultas públicas (RFB, CCC, Simples Nacional) - com esses resultados é possível identificar Fornecedores que foram excluídos do regime fora do período "normal", podendo dessa forma atualizar o cadastro para 'Não optante pelo Simples Nacional', interagir com o Fornecedor solicitando mais detalhes e ainda podendo bloquear esse cadastro automaticamente tendo em vista a necessidade de uma análise mais aprofundada no caso;
  • 4 – A cada mês, para os fornecedores que constam na base como Simples Nacional - executar o Saneamento automatizado com base em consultas públicas (RFB, CCC, Simples Nacional) - com esses resultados, é possível identificar fornecedores que permanecem no regime, verificar eventuais alterações cadastrais ou fiscais e, quando aplicável, interagir com o fornecedor para confirmar a forma de recolhimento do IBS e da CBS (em 09/26 ainda não há informações oficiais se o regime de recolhimento do CBS /IBS estará presente na consulta do Simples Nacional). Essa validação é relevante porque, mesmo quando o fornecedor permanece recolhendo IBS e CBS dentro do DAS, poderá haver aproveitamento de crédito pelo tomador, ainda que limitado ao montante devido nesse regime. Já nos casos em que o fornecedor optar pelo regime híbrido, com recolhimento de IBS e CBS fora do DAS, o crédito seguirá as regras gerais do novo sistema tributário, exigindo atenção ao correto destaque dos tributos no documento fiscal;
  • 5 – Uma opção também válida para quem possui ERPs/CRMs/SRMs que possibilitem acoplamento via eventos (SAP Business Workflow Event Manager, TOTVS Event Viewer / Audit Trail Triggers) é realizar o disparo desse Saneamento automatizado a partir de um evento como a criação de uma Requisição de Compra / Ordem de Venda, sendo assim a informação do cadastro obtida através de fonte pública estará da forma mais atualizada possível, visto que foi consultada no exato momento em que tive a intenção de realizar uma compra/venda para esse parceiro;

Os novos campos da consulta de Optantes pelo Simples (Atualização de Outubro/26)

Simples híbrido: novos campos transformam a consulta em informação acionável para Compras

A consulta de optantes do Simples Nacional passou a apresentar informações sobre o Regime Regular do IBS e da CBS. Com isso, empresas podem antecipar decisões comerciais, atualizar cadastros e estruturar regras de negócio, workflows e automações para o monitoramento de fornecedores.

Em nosso artigo sobre a importância de monitorar fornecedores quanto à opção pelo Simples Nacional, mostramos que a mera informação de que uma empresa é optante pelo Simples deixou de ser suficiente. Com a chegada do IBS e da CBS, também será necessário conhecer a forma escolhida pelo fornecedor para apuração desses tributos e manter essa informação atualizada ao longo do relacionamento comercial.

Agora, uma evolução bastante aguardada tornou esse monitoramento mais acionável: a consulta do Simples Nacional passou a apresentar novos campos relacionados à opção pelo Regime Regular do IBS e da CBS - chamado, de forma didática e comercial, de “Simples híbrido”.

O que os novos campos informam?

A consulta abaixo, realizada em 20 de outubro de 2026, apresenta novos conjuntos de informações relevantes:

A e B - Situação atual no Regime Regular do IBS e da CBS

Os campos “Situação no Regime Regular do IBS” e “Situação no Regime Regular da CBS” demonstram a condição atual da empresa em relação ao regime regular de cada tributo.

Neste momento, é natural que esses campos apareçam como “Não optante”. Afinal, na data atual, nenhuma empresa do Simples Nacional está efetivamente operando no chamado Simples híbrido.

Esses campos representam a fotografia do presente. A partir de 2027, passarão a permitir a identificação da situação vigente do fornecedor em relação ao IBS e à CBS.

C - Opções em períodos anteriores pelo Regime Regular do IBS e da CBS

O campo “Opções pelo Regime Regular IBS/CBS em Períodos Anteriores” apresentará o histórico das escolhas realizadas pela empresa.

Essa informação ganhará relevância principalmente a partir do segundo semestre de 2027, considerando que a opção pelo Regime Regular do IBS e da CBS será semestral.

Dessa forma, será possível acompanhar não apenas a situação atual, mas também as mudanças de comportamento do fornecedor ao longo do tempo.

D e E - Eventos futuros para Regime Regular do IBS e da CBS

Os campos “Eventos Futuros por regime - IBS” e “Eventos Futuros por regime – CBS” são, neste momento, os mais relevantes para os compradores.

Eles demonstram se a empresa já formalizou uma opção futura pelo Regime Regular do IBS e da CBS, além da respectiva data de efeito. A estrutura de eventos futuros contempla justamente o regime, a descrição do evento e sua data de vigência.

Na prática, esses campos já permitem identificar fornecedores que fizeram a opção pelo chamado Simples híbrido para o primeiro semestre de 2027, com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2027.

Para esse primeiro período, a opção pode ser realizada entre 1º de setembro e 30 de outubro de 2026. Já a desistência poderá ocorrer entre 3 de novembro e 20 de dezembro de 2026.

Isso significa que a informação disponível após o encerramento do prazo de opção deverá continuar sendo monitorada durante e após a janela de desistência. Uma decisão registrada em outubro ainda poderá ser cancelada posteriormente dentro do prazo legal.

F - MEI Transportador Autônomo de Cargas

A consulta também passou a apresentar o campo “Informações de Períodos como MEI Transportador Autônomo de Cargas”.

Trata-se de uma nova informação cadastral disponível na consulta, mas sem relação direta com a opção pelo Regime Regular do IBS e da CBS.

Outros campos relevantes dessa mesma consulta

Em nosso webinar sobre Cadastros e Reforma Tributária - Parte 2 (14/10/26) exploramos também algumas possíveis leituras quanto a outros campos já disponíveis nessa mesma consulta:

  • Eventos Futuros (Simples Nacional) serve como alerta futuro - no exemplo acima o Fornecedor atualmente optante pelo Simples Nacional já está com exclusão do regime programada para 01/01/2027.
  • Opções pelo Simples Nacional em Períodos Anteriores pode demonstrar histórico de instabilidade - no exemplo acima o Fornecedor apresenta sucessivos registros de exclusão e tentativas de reenquadramento no Simples Nacional.

Da consulta para a decisão de negócio

O principal avanço não está apenas na inclusão de novos campos. Está na possibilidade de transformar essas informações em ações concretas.

Até então a estratégia de monitoramento dependia, em grande parte, da interação estruturada com o fornecedor para confirmar sua intenção quanto ao recolhimento do IBS e da CBS. Com os eventos futuros disponíveis na consulta, parte dessa informação passa a poder ser obtida diretamente na fonte pública.

Para as áreas de Compras e Suprimentos, os dados podem apoiar na:

  • Segmentação dos fornecedores que exigem análise ou contato prioritário;
  • Preparação das negociações para 2027;
  • Comparação entre a informação declarada pelo fornecedor e a opção registrada;
  • Revisão das premissas utilizadas na composição do custo efetivo da aquisição;
  • Identificação de mudanças ocorridas durante a janela de desistência.

O objetivo não é transferir para Compras a responsabilidade por análises tributárias complexas, mas oferecer informações mais consistentes para que Compras, Fiscal e Cadastro possam trabalhar de forma coordenada e posicionando o saneamento e o enriquecimento cadastral como meios de fornecer melhores informações para as negociações com fornecedores.

Regras de negócio, workflow e automação

Os novos campos também podem ser incorporados à governança cadastral e fiscal da empresa.

Dependendo da arquitetura e das regras definidas por cada organização, essas informações podem alimentar:

  • Regras de negócio, para identificar fornecedores com opção futura registrada;
  • Workflows, direcionando casos específicos para Compras, Fiscal ou Cadastro;
  • Automações de consulta e atualização cadastral;
  • Monitoramento periódico, especialmente após os encerramentos das janelas legais;
  • Gatilhos vinculados a eventos do processo de compras, como uma requisição ou um pedido;
  • Processos de interação com o fornecedor, quando houver divergência, ausência de informação ou necessidade de esclarecimento.

Essa abordagem dá continuidade à estratégia já apresentada no artigo anterior: combinar consultas públicas, automação, workflows e interação estruturada para transformar o monitoramento do Simples Nacional em um processo recorrente e integrado.

Esses novos campos reduzem uma lacuna importante entre saber que é necessário monitorar e ter dados disponíveis para executar esse monitoramento.

A informação sobre o chamado Simples híbrido deixa de depender exclusivamente da declaração do fornecedor e passa a poder integrar consultas, cadastros, negociações, workflows e automações.

Ainda assim, o monitoramento continua necessário - afinal opções futuras podem ser canceladas, novas escolhas ocorrerão a cada semestre e a situação do fornecedor poderá mudar ao longo do tempo.

Mais do que consultar uma informação, o desafio será incorporá-la aos processos em que ela realmente faz diferença.

Conclusão

Diante da complexidade das regras de opção, permanência e exclusão do Simples Nacional — especialmente com os novos cenários introduzidos pela Reforma Tributária — fica evidente que confiar apenas em verificações pontuais ou controles manuais não é suficiente para garantir segurança fiscal e qualidade cadastral.

O status do Simples Nacional deixou de ser uma informação meramente declaratória e passou a ser um atributo crítico de governança, capaz de impactar diretamente na correta apuração e retenção de tributos, no aproveitamento de créditos de IBS e CBS, na conformidade das operações de compra e venda e no custo total das contratações.

Nesse contexto, a combinação de Consulta públicas, Automatização e Workflows via regras de negócio e Interação estruturada com fornecedores, viabilizada por soluções como o MDM+BRO e MUB, permite às empresas sair de uma postura reativa para um modelo preventivo e inteligente de gestão cadastral e tributária.

Ao transformar o monitoramento do Simples Nacional em um processo sistêmico, integrado e recorrente, as organizações reduzem riscos fiscais, evitam perdas de crédito, aumentam a confiabilidade dos dados mestres e garantem maior previsibilidade e segurança para suas operações — hoje e no novo cenário tributário que se consolida no Brasil.

Cadastros preparados são a base para uma transição segura à Reforma Tributária. Confira as duas partes completas da webinar sobre “Cadastros na Reforma Tributária” e veja como se antecipar às mudanças:

Parte 1: https://www.youtube.com/watch?v=wGdJ3NcNJjI

Parte 2: https://www.youtube.com/watch?v=05CQBrFUg_Y

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